Governo realiza leilão nesta sexta para contratar energia de novas usinas

18 de outubro de 2019

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1.541 projetos estão na disputa Leilão às 10h, em São Paulo. Chefe do MME participa do evento

O governo realiza nesta 6ª feira (18.out.2019) leilão para contratar energia de empreendimentos novos, que devem entrar em operação em 2025. Apesar das novas regras para energia renováveis, a expectativa é que haja disputa entre usinas eólicas e solares. Projetos de térmicas a gás também deve se destacar na rodada.

O certame será realizado às 10h, na sede da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), em São Paulo, por meio de sistema eletrônico. O ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, participará do evento.

De acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), 1.541 projetos se inscreveram para participar do leilão. Entre as fontes que cadastraram mais projetos estão as eólicas, com 760; as para geração de energia solar, com 685; PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), com 37; e as termelétricas a gás natural, com 26.

Para Tiago Figueiró, sócio da área de Energia do Veirano Advogados, há muita expectativa sobre a demanda de energia que será contratada nesta 6ª. Também diz acreditar que haverá muita competição em projetos movidos a gás. Petroleiras devem estar presentes entre os compradores.

A Petrobras e a Equinor (Noruega), por exemplo, firmaram acordo para estudar projetos de geração térmica movidos pelo combustível em conjunto. As petroleiras buscam alternativas para o potencial de oferta de gás com a exploração no pré-sal nos próximos anos.

“Tem projetos inovadores nessa área. As empresas estão procurando novas formas para comprar gás natural, como os projetos de gás natural liquefeito que chegam por navios. Antes, só era possível entrar na disputa se tivesse 1 pré-contrato com a Petrobras”, destaca Fiigueiró.

O especialista afirma que a abertura do mercado de gás natural, como promete o governo federal, impulsionaria ainda mais a fonte. Para ele, térmicas movidas a gás podem ser uma opção para equilibrar a contratação de fontes intermitentes. Ou seja, que não geram energia durante todo o ano por falta de vento ou de sol. Hoje, o parque térmico brasileiro é, em grande parte, de usinas a diesel e óleo combustível.

NOVAS REGRAS PARA RENOVÁVEIS
O certame desta 6ª marca a mudança nas regras para a participação de usinas solares e eólicas –grande destaque das últimas rodadas. O edital estabeleceu que a quantidade de energia que será fornecida pelos empreendimentos será baseada na demanda das distribuidoras. Antes, seguia a potência de geração das usinas –o que varia ao longo dos meses.

Na prática, as regras aumentam o risco do negócio para os geradores, que terão de arcar com os custos da compra de energia para cumprir os contratos quando não produzir o suficiente. O modelo já é usado para hidrelétricas, por exemplo

Para Tiago Figueiró, a mudança foi uma tentativa de igualar as condições entre as fontes ofertadas. “Isso passou a ser visto como uma forma de subsídio que as renováveis têm em relação a outros geradores. O governo quer acabar com isso“, afirmou.

Apesar de esperar concorrência para as fontes, ele diz acreditar que alguns empreendimentos desistiram de participar do leilão pelas novas regras. A avaliação é de que não houve tempo suficiente para calcular o custo adicional que o gerador arcaria com a mudança. “É possível encontrar formas de mitigar esse risco, mas ficou muito em cima da hora. Era possível, por exemplo, fechar acordo com outras usinas para suprir a demanda quando a geração ficar abaixo”, explicou.

Fonte: PODER360

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